quinta-feira, 23 de março de 2017

Do tempo da Abril...!

A Abril Jovem deixou de editar super-heróis em 2002 quando a Panini assumiu de vez as HQs das duas principais editoras desse filão: Marvel e DC. Com isso acabou um reinado absoluto de mais de mais de 20 anos lançando os gibis favoritos da gurizada que cresceu lendo os famosos (e questionáveis) formatinhos. Minha história com os gibis da Abril começou apenas em 1994 quando de fato comecei a comprar quadrinhos regularmente, mas nem por isso, deixou de me marcar com o logo da "arvorezinha" da editora. Com o tempo fui garimpando em sebos e pegando ainda mais revistas. Cheguei a ter um numero muito grande de formatinhos, mas há alguns anos uma infiltração aniquilou (dramaticamente falando) uma boa parte delas. O formato Abril ficou famoso no Brasil- não foi uma criação da editora, mas ainda assim popularizou-se por conta dela. Outra fama- essa negativa- que a editora teve foi o das "mutilações". A Abril cortava páginas, refazia quadros e textos para melhor se adaptar ao período em que suas revistas eram editadas, já que havia um delay entre o que saia no Brasil e o que saia nos Estados Unidos de pelo menos uns três a quatros anos em média. Hoje esse delay é de um ano pela Panini. 
No entanto, apesar dos pesares, a Abril tinha muitos acertos editoriais. Um deles era a boa distribuição com data certa para chegar as bancas, coisa que hoje a Panini toma um caldo feio por conta disso. A comunicação via sessões de carta era outro ponto forte. Hoje, claro, com a comodidade da internet essa vertente foi esquecida de vez. Eu ainda tive carta e desenhos publicados por suas edições de heróis e era sempre divertido encontrar isso pelas revistas. Ainda que soe nostálgico, a "Era Abril" foi também de grandes fases. A editora pegou etapas históricas das grandes Marvel e DC como as mega-sagas Crise nas Infinitas Terras e Guerra Secretas, o surgimento do selo Vertigo, o nascimento de HQs que viraram lendas como Cavaleiro das Trevas e Watchmen, grandes fases e sagas. Ainda que o formatinho não desse todo o esplendor que muito disso foi editado, hoje esses mesmos quadrinhos são alvos de especulações nos sites e lojas de vendas de quadrinhos antigos. 
 Do tempo da Abril o que ficou mesmo foi aquela sensação de quadrinhos barato e divertido, que os amigos trocavam para ler ou se juntavam para colecionar. Nos dias de hoje o quadrinho virou um artigo de luxo, com preços salgados, encadernados em capa dura caríssimos e uma individualidade hostil entre os fãs dentro das mídias sociais, sites e blogs. No tempo da Abril muito disso era contido nas rodas de amigos e dificilmente saia uma ameaça de morte com é o dia de hoje. Sei que pra mim é fácil criticar que estamos mais chatos e intolerantes, como se o passado fosse uma "Era de Ouro", mas é fato que o fã está mais engomadinho e arisco. Eu continuo curtindo quadrinhos, achando divertido, mas procuro selecionar bem o que quero para ler e busca um equilíbrio no que posso passar entre fãs. 

Power Rangers (Resenha Cinema- leve Spoiler)

Eu vi Power Rangers virar o fenômeno que virou ao longo de sua criação. Quando Haim Saban adaptou Kyoryu Sentai Zyuranger para Mighty Morphin Power Rangers lá em 1992, o cara estava criando lendas da TV americana e fazendo muito dinheiro! Mas não vou falar de tudo que rolou até aqui. É só uma introdução para mostrar o quanto os personagens são queridos e famosos. Minha geração deixou para trás, ainda que sinta a nostalgia, mas a série se renova todos os anos criando novas gerações de fãs. Pensando nisso, a Lionsgate resolveu investir num novo filme, numa nova forma de enxergar esses personagens tão queridos e os atualizar para os dias de hoje. O pacote saiu muito melhor do que eu esperava. Ao chamarem o diretor Dean Israelite de Projeto Almanaque, acertaram em cheio e mais, a abordagem é um amálgama interessante no quis respeito ao tom do longa. Muita gente queria um filme sombrio e violento, outros queriam um filme no "melhor estilo Marvel" que evocasse o espirito do seriado de TV. A verdade é que num é nem uma coisa e nem outra, mas consegue sim demonstrar um poucos desses dois lados com certa identidade própria. 
A trama trata de colocar cinco jovens desajustados em linha uns com os outros. E a coisa acontece de forma natural a medida que a película corre. Com cuidado em criar personalidade para os novos heróis, a trama se estende bastante (!) até na construção de cada um, os deixando com profundidade entre dramas, medos, descobertas e responsabilidades. E isso tem inclusive a ver com transformarem-se em Power Rangers. Aliás, toda essa conexão acaba sendo fundamental para o desenvolvimento do plot principal. Algumas coisas que já vinham sendo cogitadas entre os fãs pela internet sobre a origem dos Power Rangers se confirma logo de cara e isso abre bastante o leque de possibilidades para o filme e para o futuro da franquia. Os novos atores funcionam muito bem na proposta com Jason (Dacre Montgomery), Kimberly (Naomi Scott), Zack (Ludi Lin- mediano), Trini (Becky G) e Billy (RJ Cyler- que vira o destaque disparado e um elo forte entre os companheiros). Me surpreendeu também Zordon (Bryan Cranston) que é muito mais que uma cabeça flutuante e sim uma peça-chave para toda a trama. A mitologia por trás dele me deixou bem empolgado e abre um leque maior ainda para a expansão desse universo. Outro destaque é a vilã vivida por  Elizabeth Banks (Rita Repulsa) que teria tudo para ser só uma catapulta para o clímax, mas ela tem um fundamento especial para todo o enredo, por mais que ela apareça pouco. Não é o melhor trabalho da atriz- nem de longe- mas funciona. 
Tecnicamente falando o filme é muito bem conduzido (apesar de alguns efeitos ficarem devendo e cortadas abruptas) e uma coisa me chamou a atenção: boa trilha sonora de Brian Tyler! O filme tem bons acertos, mas claro, há os pontos negativos. Um deles é que o tempo dos Power Rangers na tela é pequeno. Isso mesmo! Eles não aparecem tanto, mas quando o fazem, aposte que são espetaculares, ainda que tenha toda aquela aura espalhafatosa e de galhofa- se num tivesse eu me levantava da sala e tinha ido embora. Os Zords também funcionam bem, apesar da visível falta de orçamento para gerar eles- o que reflete na qualidade técnica. Há alguns atalhos grosseiros que podem incomodar aquele cinéfilo mais apegado a detalhes. Infelizmente não dá pra esperar uma obra prima aqui, mas sim... é um bom filme. Feito com cuidado, esmero e atenção tanto aos fãs mais antigos como os mais novos e bem atualizado em média para a proporção que é essa nova "roupagem". Espero realmente mais disso! Por tanto assista sem achar que estará assistindo o melhor filme do mundo. É só um filme pipoca pra divertir por quase duas horas. Não vai ganhar Oscar nem nada. Mas vai te entreter bem. 

NOTA: 8,0

Trailer clicando AQUI.

Power Rangers (Power Rangers, 2017)

Direção: Dean Israelite
Roteiro: Ashley Miller e Zack Stentz

Elenco: Dacre Montgomery, Naomi Scott, RJ Cyle, Ludi Lin, Becky G, Elizabeth Banks, Bryan Cranston, Bill Hader
Duração: 115 min.
Estúdio: Lionsgate, Saban Films e Toei Company

Punho de Ferro- 1º Temporada (Resenha Seriados)

Eu estava esperando terminar de assistir a todos os episódios para poder ler um pouco do que andam falando do seriado, pois o mesmo vem carregando críticas bem negativa. Mas de boa mesmo? A galera tá ficando chata demais. O seriado tem falhas? Tem sim e algumas bem bobas. Mas no corpo geral é sim boa e bem produzida. Não conheço muito o Punho de Ferro, apesar de eu ser um leitor antigo de quadrinhos (faltou oportunidade em bancas para isso) e por tanto, minha resenha vai se limitar apenas ao programa, sem entrar muito nos quadrinhos do personagem. Já li várias HQs dele, mas nada que me dê profundidade para entrar na comparação. Acho que Punho de Ferro está para os Defensores (próximo programa Netflix com os personagens Marvel) como o Capitão América estava para os Vingadores em seu primeiro longa. Só pra lembrar que o filme do "Primeiro Vingador" é bem mediado e só entrou mesmo para fazer "a liga" entre o universo de personagens Marvel para o filme de Os Vingadores. O que nos levamos a Punho de Ferro, mas sem um gancho tão evidente quanto foi Capitão América. O seriado de Danny Rand parece mais contido, ainda que tenha sim as mesmas qualidades técnicas dos antecessores. 
O básico ainda funciona aqui. A trama é relativamente simples ao colocar Danny Rand (Finn Jones) "voltando dos mortos" quando todos achavam que estava morto por conta de um acidente de avião com os pais quando era criança. Acontece que o garoto foi criado por monges de K’un-Lun e transformado no defensor deles como o Imortal Punho de Ferro. No entanto, Rand resolve buscar sua vida passada, suas raízes, e só encontra hostilidades. O caldo entorna quando ele começa a descobrir uma trama sórdida que envolve o Tentáculo e o antigo sócio de seu pai. Com isso em mente, os produtores começaram a tecer a trama em torno do perigoso Tentáculo, aqui mais aprofundado que nos outros seriados da Marvel e claro, fazendo com que o chiclete que liga os seriados, Claire Temple (Rosario Dawson- sempre ótima!) tenha mais destaque dessa vez. Com um ritmo do tipo gangorra, Punho de Ferro perde força numa trama que por muitas vezes parece solta, mas que se arruma posteriormente e depois se perde de novo, para se encontrar mais pra frente. 
E uma coisa me incomodou um pouco: as coreografias das lutas são boas, mas abaixo do que eu esperava para um seriado de artes marciais. Há momentos que você consegue perceber a "falsidade" dos golpes, a lentidão do compasso. Quase dá pra ouvir o diretor dizendo "Vai... começa". Eu esperava mais disso pelo menos. Seja com for, a trama consegue seguir em bom ritmo e os personagens vão ganhando corpo, principalmente Jessica Henwick como Colleen Wing, mas ainda falta ritmo e uma boa edição. Em resumo, é boa... mas poderia ter sido muito melhor. Apesar do descompasso e se perder às vezes, Punho de Ferro ainda é um bom acréscimo e está longe de ser a porcaria que estão pintando por aí. Só não vá com muita sede ao pote... 


NOTA: 6,5

Punho de Ferro (Iron Fist- 2017)

Criação Original Netflix
Direção: John Dahl, Farren Blackburn, Uta Briesewitz, Deborah Chow, Andy Goddard, entre outros...
Elenco: Finn Jones, Jessica Henwick, Jessica Stroup, Tom Pelphrey, Barrett Doss, David Wenham, Rosario Dawson, Carrie-Anne Moss, entre outros...
Episódios: 13
Duração: 55min em média por episódio

quarta-feira, 22 de março de 2017

DC Comics Renascimento

A Panini finalmente resolveu divulgar como ficarão as revistas mix da editora com a vinda do "Renascimento" na DC Comics. Não teve grandes surpresas, na verdade, mas me pareceu bem equilibrado. A começar vale o destaque que todas as revistas DC agora serão em papel LWC com média de 52 páginas por edição, mas os valores ainda não foram divulgados, mas deve ficar em torno de R$ 7,90 que é já praticado pela editora em edições semelhantes. A Panini adianta também que haverá ainda mais duas publicações que serão lançadas em maio e junho respectivamente, mas não divulgaram que material seria, mas com certeza nesse pacote estará Flash e Aquaman que não foram contemplados nessa primeira leva. Vamos aos mixies: 

Superman de Peter J. Tomasi e Patrick Gleason- Até onde sei, tá valendo cada centavo.

Batman de Tom King e David Finch- Vem fazendo sucesso lá fora e é um dos títulos mais vendidos.

Action Comics de Dan Jurgens e Patrick Zircher, Tyler Kirkham e Stephen Segovia- Esse título me surpreendeu. Não esperava por uma "Action Comics". Superman terá dois títulos no Brasil. Mas admito que esse não me interessou muito. E de verdade? Duvido que sobreviva por muito tempo. 

Detective Comics de James Tynion IV e Eddy Barrows- Esse foi outro que me surpreendeu pelo título adotado pela editora brasileira. Esse foi outro titulo que não me interessou muito, por me parecer mais um genérico das bat-aventuras do Morcego. Tynion IV é um "roteirista operário"  e seu destaque vai para a gangorra Batman Eterno. 

Mulher-Maravilha de Greg Rucka e Liam Sharp e Nicola Scott- Nesse eu boto fé. Greg Rucka já fez um trabalho espetacular na Amazona da DC e espero mais um trabalho de qualidade. Só num gostei muito de ter Liam Sharp como artista, pois o acho limitado... 

Lanternas Verdes de Robert Venditti,  Rafa Sandoval (Mulher-Gato) e Ethan Van Sciver com Sam Humphries e Robson Rocha- Edição com 92 páginas e trazendo duas séries dos Lanternas Verdes. Pela divulgação do conteúdo foi outra que não me interessou muito. 

Liga da Justiça de Bryan Hitch e Tony Daniel- Esse foi outro que não me interessou em nada. Depois da experiência que tive com o titulo JLA que é roteirizado por Hitch, quero distância desse cara. E Tony Daniel com todo esse tempo de carreira ainda tem um traço que oscila bastante. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Os piores inimigos da DC Comics nos cinemas: Executivos da Warner

Conversando com alguns amigos, percebi que todos nós estávamos de acordo em relação a DC Comics nos cinemas: Warner! Sim, a dona da DC Comics está sem saber o que fazer e isso é fato. Há uns dois anos o estúdio anunciou uma lista de filmes que estariam chegando aos cinemas até 2021 com seus personagens. Foi uma atitude ousada, já que o universo DC compartilhado nas telinhas praticamente nem existia ainda. Homem de Aço abriu as portas timidamente e então a veio Batman vs Superman que foi um filme morno já que a pretensão era outra, na verdade. Chegamos a um consenso de que a Warner pensou certo, mas está conduzindo da forma errada ou pior ainda, sem saber como conduzir. Homem de Aço dividiu os fãs e muita gente esperava que Batman vs Superman fosse o filme de redenção, mas o tiro saiu pela culatra. Mulher-Maravilha tem a tarefa homérica de ser o filme que dará esperanças para a DC nas telonas e Liga da Justiça precisa sacramentar isso para que os filmes da Casa das Lendas não fique no meio do caminho. 

A bagunça começa com a própria Warner quando não se decide sobre o cronograma de seus filmes. The Flash foi adiado, perdeu diretor e roteirista e foi iniciado do zero. Tropa dos Lanternas Verdes ainda é uma grande interrogação e o filme do Shazam! foi dividido em dois para que o Adão Negro possa ter o dele por conta do ator Dwayne Johnson que viverá o vilão (ou vilão arrependido, sei lá). Aquaman está na agulha, mas foi adiado o lançamento em agosto de 2018 para dezembro do mesmo ano. Pior está a situação de The Batman, que na verdade, nem estava nos planos da Warner inicialmente e de repente virou uma realidade confusa com troca de diretor, busca de roteiro, data indefinida, e outros percalços. Ai o estúdio ainda anuncia um filme do Asa Noturna sem ter um universo formado ainda e para relativamente breve. 

E uma das maiores bombas de 2016, Esquadrão Suicida, ainda está em pauta para ganhar uma continuação. Fora que os boatos sobre um Homem de Aço 2 surgem e desaparecem o tempo todo. O que está faltando até agora é um nome forte e inteligente que coordene todo esse universo, pois parece estar largado, sem uma pessoa para de fato ligar os pontos. As coisas parecem estar aleatórias, como se cada tijolo estivesse sendo montado a esmo. Vamos ver o que a Warner planeja e como pretende levar seu universo compartilhado adiante. Mas que está precisando sim de um sucesso desesperado, isso está. 

sábado, 11 de março de 2017

Logan (Resenha Cinema)

O filme de (supostamente) despedida de Hugh Jackman do personagem Wolverine não poderia ser melhor- na verdade poderia, mas chegaremos lá. Aqui temos um Wolverine violento, com cenas viscerais que os fãs ao longo desses 17 anos tanto pediam. Logan xinga, mata, enfia as garras na cabeça dos vilões e estraçalha quem se colocar em seu caminho. Passado vários anos, os mutantes já estão quase extintos. Logan trabalha em um serviço de limousine e tem um plano para se "aposentar" de vez. Cuidando de um Charles Xavier doente no meio do deserto, seu intuito e é ficar na surdina, sem despertar a curiosidade de ninguém. Era um plano simples, até que Laura (Dafne Keen) surge e Logan aceita um último serviço que pode lhe dar uma boa grana para realizar seus planos, e para isso bastava levar Laura para um local X. Até aí, tudo bem, se ela na verdade não estivesse sendo perseguida por um programa do governo de "fabricação de mutantes como arma". Com isso Os Caniceiros liderados por Donald Price (Boyd Holbrook) alcançam a "cobaia"  e tentam levá-la a força, coisa essa se torna bem complicada quando ela reage. 
A trama mostra Logan dando de ombros pro mundo e pensando apenas em sua sobrevivência, de Xavier e do colega Caliban. A principio o Carcaju se recusa a ajudar Laura, que fez parte de um programa para criar mutante e tem os dons parecidos com os de Logan, mas Xavier insiste e o Wolverine acaba entrando no meio da treta a contragosto. Essa ideia de um Wolverine menos heroico e mais "egoísta" pra mim não casou bem, mas aos poucos o personagem vai se soltando e mostrando o lado salvador. O diretor e roteirista James Mangold que vem a frente dos filmes solo do personagem foi uma grande promessa quando começou, e também uma grande decepção com dois filmes medianos com o primeiro e segundo filme do personagem. Aqui ele se ficou mais livre para tocar o barco do jeito dele, sem as amarras do estúdio, no caso, a Fox e entrega um filme digno do Wolverine. O filme tem um visual sujo, perigoso, sem esperança. As atuações de Hugh Jackman e Patrick Stewart são as melhores da série de filmes dos mutantes. O filme todo é um espetáculo visual que no coloca dentro do verdadeiro personagem.
Mas a verdade é que nem tudo são flores, Deixei pra fazer essa resenha justamente depois de todo o hype que eu me encontrava. Não mudou nada do que eu pensei antes: é sim um baita filme. E pode ser o começo de um tendencia, um novo nível para as adaptações de quadrinhos para a tela grande, mas faltou um elemento que poderia ter dado uma nova máxima a esse filme: ser mais heroico. Sim, faltou a identificação com as origens dos quadrinhos. Se não soubéssemos que ali é o Wolverine e que faz parte do universo dos X-Men por ligarmos uma coisa com a outra, seria apenas um filme de ação e drama como os muitos que temos hoje em dia.  Faltou mostrar que não tinha medo de mostrar isso. Mas não é um fator realmente de detração, é mais uma observação. No mais, é sim um baita filme e uma bela despedida de Jackman do personagem que viveu por tanto tempo. 

NOTA: 9,0

TRAILER clicando AQUI.

Logan (Idem, 2017)
Direção: James Mangold
Roteiro: Michael Green, Scott Frank James e Mangold
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Richard E. Grant, Boyd Holbrook, Stephen Merchant
Estúdio: Fox/ Marvel
Duração: 135 min.

sábado, 4 de março de 2017

Era uma vez na América (Disney)

 
Oi gente! Comentando aqui sobre mais um belo encadernado Disney! Neste, acompanhamos Mickey, Pateta, Minnie e até o Bafo-de-Onça pela história americana. A “aula” de história mais divertida, bolada na divisão italiana das empresas Disney. Uma ideia bem legal e lindamente executada. No passar de séculos, vemos a família Mouse vir da Inglaterra e crescer até chegar ao mundo de Hollywood. Vemos Mickey como repórter, piloto, guarda-costas, magnata, geógrafo... tem Mickey pra todos os gostos. As HQs foram muito bem escritas e, embora sejam realmente mais ficção que baseada em fatos, pode-se encontrar alguns detalhes legais sobre eventos reais, como a batalha do Forte Álamo (que eu sempre ouvi falar, mas não sabia mesmo o que era essa batalha). Desenhos lindíssimos aguardam o leitor. Das 14 histórias, 12 são assinadas por Masimo de Vita, um dos melhores desenhistas Disney, sem dívida! Quase 500 páginas de boas histórias pra quem tiver a sorte de adquirir esse grande trabalho!

Recomendo imensamente! Até a próxima!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

KIMBA – O Leão Branco


E aí galera! Passando aqui rapidinho pra comentar um mangá que estava na fila. Mais uma criação do genial Osamu Tezuka, a história deste leãozinho é bem interessante (fato que não passou despercebido pela dona Disney). Kimba é o filho de Panja, leão branco que era uma espécie de anti-heroi da selva africana (não, este não vivia na savana). Alguns homens brancos e uma tribo local estão caçando animais na região, e acabam pisando nos calos do felino, que os enfrenta em diversas ocasiões. Os humanos acabam por sequestrar a parceira grávida de Panja, e ela dá à luz Kimba. Contar mais pode estragar alguns detalhes da história, então vou deixar pra quem não sabe, ir atrás de descobrir.

Como em outras obras de Tezuka que li, o tom é leve e até infantil, mas nem por isso a história é ruim ou mal contada, longe disso. Um único momento me incomodou (quando os animais cantam), mas é coisa de adulto, provavelmente. Fora a história, o que tenho a comentar sobre a edição em si é o trabalho da New Pop. Fisicamente o material está impecável, edição e papel muito bons, e até o preço alto não é grande problema... o problema mesmo, que já vi em outros mangás deles, é a revisão de texto. Erros bobos de português que me incomodam sinceramente, embora eu não seja nenhum acadêmico. Pô meu, criança pode revisar! Eu reviso meu texto antes de uma postagem! Revisem esses textos antes de por a edição pra vender, pessoal. KIMBA custa R$ 25.00, mas se você comprar direto no site da editora, sai mais em conta (ou em sites de vendas de quadrinhos e afins, que geralmente é mais vantagem). Assim que sobrar uma graninha, vou atrás dos volumes dois e três pra completar minha coleção. Valeu! Até a próxima! 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Capas Cool: Super-Homem contra o Homem-Aranha

Resgatando um pouco da coluna "Capas Cool", desta trago o primeiro grande encontro entre a DC e a Marvel Comics e não poderia ter começado maior com um encontro entre o Superman (na época grafado como Super-Homem) e o Homem-Aranha, os dois maiores ícones das duas empresas até então. Eu resolvi escolher a capa da versão brasileira editada pela Abril em 1986 em formatinho. Antes a Ebal havia aditado no formato original, que era bem maior, em 1977. O encontro foi um acordo incomum para a época e colocou Gerry Conway, nos roteiros, Ross Andru no lápis e Dick Giordano na arte-final. Eu nunca possui essa edição, mas li emprestado de amigos anos mais tarde e é sim um encontro divertido e claro, bem "clichê", com os dois heróis primeiro entrando em confronto um contra o outro e depois se unindo para derrotar os vilões. Mas vale lembrar que naquela época ainda era novidade, e por tanto, é clichê para os dia de hoje. O trabalho de texto de Conway é bem genérico, no entanto, funciona muito bem e diverte pra caramba. Agora o trabalho catedrático de Andru e Giordano ainda dá de dez a zero em muitos artistas "descolados" dos dias de hoje. Bem... essa edição é bem difícil de ser encontrada e possivelmente nunca mais será reeditada no Brasil e acredito que em lugar nenhum. A última impressão disso foi em 1993 pela Abril e de lá pra cá mais nada. Uma pena... 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ódio entre os nerds!

Essa postagem é um pouco atípica, mas eu acompanho as comunidades nerds dentre os fãs de quadrinhos, cinema, seriados, games, etc, há um bom tempo e cada vez parece que existe uma guerra besta para saber quem é o mais certo de todos! Essas "brigas virtuais" sempre existiram e nunca deixarão de existir, mas às vezes é um sucessão de agressões que me faz pensar o que se passa na cabeça desse povo que não consegue aceitar a opinião do outro. Às vezes o gosto pessoal pode soar "questionável" para uns, mas para outros completamente aceitável. Qualquer assunto vira briga, discussão generalizada, xingamentos... Está ficando normal os "linchamentos virtuais". Fãs da DC e Marvel ou de determinados filmes, seriados, livros, seja lá o que for... são como facções que defendem de forma pobre seus pontos de vista. Ninguém nunca vai estar certo o tempo todo. Nem todos os gostos ou visões são as mesmas, mas podem ser sim discutidas com civilidade. Não sou grande fã, por exemplo, de Jim Lee. Já fui, quando não conhecia de quadrinhos como conheço hoje. Aliás, quando Lee desenhava num traço mais enxuto, usando uma anatomia e linhas mais bem construídas. Hoje eu não o acho um baita "deus" como muitas fãs acham, mas respeito o gosto pessoal e nem tento mudar o que pensam. O que vejo como uma arte falha, outros vêem como uma obra de arte. Mas são pontos de vistas válidos. E isso pode gerar discussões acalorada e descambar para ofensas mil. 
Às vezes acompanho os fóruns em sites e páginas sociais e é incrível o numero de fãs que se estapeiam por vários motivos fúteis ou que não deveriam ter tanta importância aumentam. Uns dois meses atrás- e isso é um relato pessoal- eu comentei sobre um personagem de um mangá no meu Instagram depois que o li e um cara que me seguia resolveu defender o personagem que ele gostava e que eu não tinha dada tanta importância... porque  o achei realmente "desimportante". Até aí tudo bem, mas ele tentou fazer isso arrumando uma "briga". O máximo que fiz foi relatar educadamente que entendia o ponto de vista dele, mas o meu era esse. E que tava tudo bem e respeitava, claro, a opinião do jovem cidadão. E só. O cara deu um pequeno "piti" e tentou arrumar confusão, mas não rolou, até que desistiu. E depois deixou de me seguir. A questão é que estamos criando fanboys exacerbados e de forma perigosa! Sempre existiu isso entre os fãs da cultura pop, os fãs de Star Wars e Star Trek que o digam, mas está chegando num nível de tolerância no mínimo idiota. 
Sou a favor da discussão saudável de pontos de vista, acho realmente válido. Todos somos indivíduos com seus gostos particulares, visão diferenciada. Seria estranho se todo mundo gostasse de tudo. Não cabe a mim ou a você ou seja quem for dizer o que é bom ou ruim dentro desse universo, a não ser, claro que seja algo do tipo ilegal ou pernicioso. Que fuja desastrosamente da convivência mútua. Não tem como não discordar que álcool e direção não combinam, por exemplo. Mas falo de coisas mais simples que é plot dessa matéria. Um exemplo bem simples é esse próprio blog. Quando faço uma resenha, não quer dizer que estou certo 100% naquilo que digo. É muito baseado num gosto pessoal, amparado numa sucessão de exemplos que fui aprendendo de diversas coisas com o tempo. Mas não quer dizer necessariamente que seja realmente ruim ou bom. Infelizmente não dá para mudar a natureza das pessoas. Cada vez mais o "hater" ou "fanboy" estarão presentes em fóruns e papos relacionados. É uma pena, pois desvirtua a boa troca de informações e sensações.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Um brasileiro chamado Zé Carioca

Boa tarde pessoal! Quanto tempo não posto aqui, haha! Enfim, espero ter algo a dizer quando venho postar no Bueiro. Hoje eu terminei de ler este belo livro em quadrinhos e só tenho coisas boas a dizer sobre ele. A princípio, estranhei a capa: cadê aquela roupinha clássica do malandro, que nos foi apresentado lá naquele desenho animado com o pato Donald e um colega mexicano nos anos quarenta? "Alô amigos" mostrava o Zé com aquele visual que, embora legal, não condiz muito com o que o brazuca vestia nos anos seguintes. Aqui, nas mãos do roteirista Ivan Saidenberg (paulista) e do desenhista Renato Canini (gaúcho), o personagem que começou como "Joe Carioca" virou realmente o "Zé" que deveria ser.

Quarenta e quatro HQs, em 350 páginas de acabamento luxuoso, nos levam aos anos 70 e à transformação do Joe no brasileiro Zé. A ideia da dupla de autores de mudar o visual dele faz todo o sentido do mundo, não só pelo estilo antiquado da vestimenta, mas pelo calor do lugar onde ele vive. E confesso que, no fim das contas, aprovei demais esta primeira mudança no visual do papagaio (anos depois fizeram umas mudanças moderninhas demais, a meu ver). Aqui e acolá ele ainda troca de roupa umas vezes, o que deixa ainda mais legal, principalmente quando ele vira o Morcego Verde, um super-heroi da favela, que não consegue esconder sua identidade de ninguém colocando óculos!

As divertidas HQs mostram Zé Carioca principalmente como o malandro preguiçoso que é, mas também como um personagem muito inventivo e criativo nos golpes fracassados que tenta aplicar pra conseguir uma grana fácil. Geralmente é seu grande amigo Nestor quem acaba pagando o pato (ou a conta) das malandragens do Zé. Também achei legal ver outros membros de sua família, seus primos Zé Jandaia (nordestino), Zé Queijinho (mineiro), Zé Paulista (workaholic) e Zé Gaúcho. Também tem o Tio, Coronel Zé do Engenho. Tem Zé pra todos os gostos neste apanhado: Zé carnavalesco, detetive, heroi, agente secreto, empresário... mas, principalmente, preguiçoso.

Tendo muitas outras coisas pra por em dia, e querendo fazer com que a leitura durasse o máximo possível, li apenas uma história por dia deste especial. Foi portanto um mês e meio de diversão com Zé Carioca, que eu não lia desde a infância, e posso dizer que foi muito bom reencontrá-lo. Recomendo muito este material! Nota 10, sem dúvida!

Até a próxima, galera!

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Capa dura ou capa cartonada, eis a questão!

Esses dias me deparei no Facebook com um colega questionando a necessidade de capa dura nos quadrinhos no Brasil. A principio não dei muita atenção, pois gosto é pessoal e cada colecionador tem sua forma de ver a coleção que tem por diversos fatores como pode aquisitivo ou colecionismo mesmo. Mas hoje nunca se viu tanto quadrinho em capa dura super luxo indo para as livrarias e agora invadindo as bancas com HQs mais populares. Mas aí vem o real questionamento do colega: quadrinho era pra ser barato, é um entretimento "simples", que era pra ter um acesso mais abrangente. E sim, acredito também nisso. Hoje o quadrinho está chegando num patamar luxo mesmo, para poucos. Essa onda de capa dura chegou para ficar aparentemente, mas está deixando muita gente sem ter como acompanhar. Nunca se viu tantos quadrinhos editados no Brasil e por diversas editoras e em diferentes formatos. Essa tendência de "quadrinho pra livraria" é um "primo distante" de um formato de venda nos Estados Unidos, onde o quadrinho é comprado por encomenda pelos lojistas e não tem retorno. É uma prática para se editar quadrinhos por demanda. No Brasil o quadrinho sobre uma "logística reversa", onde o que não vende, volta para a distribuidora.
Mas a coisa é ainda mais complicada de se analisar. Apesar de termos tantos quadrinhos editados no país recentemente, isso não quer dizer que estamos vendendo como água. E há sim encalhes nas bancas, principalmente das revistas mensais onde estão custando quase R$ 10,00 a mais em conta com 70 e poucas páginas (no papel LWC). Os encadernados acabam sendo uma opção de venda certa para as editoras que trabalham assim, pois quase 90% disso já sai vendido para as livrarias e sem retorno para as fabricantes. Por tanto, é sim um bom negócio. A verdade é que para acompanhar quadrinhos com os valores que estão, só há duas opções: ser rico ou realmente selecionar aquilo que mais te apetece. Aí vamos voltar ao corpo desse texto, que é a real necessidade de capa dura. Com toda sinceridade, como colecionador, não sou muito fã de capa dura. Principalmente as versões muito volumosas. São ruins de manusear e ocupam muito espaço, além, claro, do encarecimento do produto. Vale até uma comparação e vou pegar as Graphic MSP do Mauricio de Sousa como exemplo simples. As edições hoje em capa dura custam R$ 36,90 enquanto a versão cartona é R$ 26,90 com a mesma coisa e de manuseio melhor, e sim, com a mesma qualidade gráfica interna. A capa mesmo sendo cartonada, tem qualidade duradoura.
Quando eu era criança, as edições especiais eram todas em encadernadas em capa cartonada. Era o máximo que tínhamos e mesmo assim era raro. As mensais supriam as necessidades, até mesmo pelo custo baixo. Eu conseguia comprar vários quadrinhos com a grana do lanche da escola. Nos Estados Unidos as versões encadernadas em sua grande maioria são em papel pisa-brite. Isso mesmo! O famoso papel jornal que a Panini usa aqui. As pessoas reclamam tanto no Brasil, mas lá o "papel bom" só é usando em edições Deluxe e depois que já se esgotou todas as versões em papel comum e capa cartonada (às vezes com sobrecapa). Sei que é comparações de mercado às vezes soa leviano, mas imagine se num país de economia estável o quadrinho tem essa opção editorial, nós que estamos no olho de um furacão econômico, estaríamos mais bem abastecidos com o mesmo formato, ou pelo menos mais encadernados em capa cartona. A Panini tem sim feito muitos encadernados em capa cartonada e com variação de papel, mas poderia, por exemplo, ter expandido essa vertente para os encadernados da Nova Marvel e Novos 52. O que me faz questionar é até onde irá essa "elitização". Há anos se diz que o quadrinho de banca irá morrer e ficará apenas os quadrinhos de livraria. Não acredito muito nisso, mesmo sabendo que de fato há muitos encalhes de prejuízos nesse sistema que temos, mas por ainda é o melhor formato de alcançar leitores.
Você teria coragem de ler alguma coisa nesse formato monstruoso?
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