segunda-feira, 23 de julho de 2018

A vitória da DC na San Diego Comic-Con


A DC vem sendo alvo de muitas críticas nos últimos por não estar conseguindo levar com consistência suas adaptações para o cinema. Mas nesse San Diego Comic-Con de 2018 a coisa parece ter mudado um pouco de figura. Pelo menos é a sensação que se passou. De que os projetos estão se alinhando. A começar pelo elogiados trailers de Shazam! e Aquaman. Foi um sucesso de comentários positivos- pelo menos a grande maioria deles e ainda teve o painel com Mulher-Maravilha 1984. Mas vale lembrar que os filmes da DC no cinema sempre tiveram trailers fantásticos, mas o resultado na telona acaba decepcionando. Vamos torcer que não seja o caso agora.


Fora isso os painéis ainda mostraram os trailers das novas temporadas de Lendas do Amanha, The Flash, Justiça JovemArrow, Supergirl e o aguardado Novos Titãs. Todas são séries de sucesso dentro de seus respectivos espectadores. Já Titãs causou uma mistura de euforia e preocupação com a caracterização dos personagens, bem mais sombrios e com o visual ainda que cause desconfiança nos fãs. Admito que achei muito estranho essa tomada sombria para os personagens, sendo que a DC vem justamente sendo atacada e ironizada pelo tom obscuro de seus últimos filmes, mas tecer comentários de um programa que ainda nem vimos é leviano demais- mesmo com o histórico negativo nesse formato “adultão” dentro da DC. Também tivemos o anuncio da segunda temporada do elogiado Raio Negro assim como algumas novos filmes animados sendo destaque para a saga Silêncio com o Batman e O Retorno do Superman.


A DC ainda lançou sua nova plataforma, o DC Universe onde irá parar um monte de seriados que a empresa está desenvolvendo, assim como quadrinhos online, plataformas de interação, e outras ferramentas para os fãs da editora. Foram anunciados também novos times criativos para os quadrinhos, novas tomadas editoriais e várias outras ações para garantir maior abrangência para seus produtos diversos. O que importa é que a DC saiu forte dessa Comic Con e se tudo isso realmente entrar nas linhas, podemos esperar muita coisa. A única ressalva que fica é que se cogitava que haveria o anuncio de Homem de Aço 2, mas nada nem nos bastidores. Isso talvez seja uma tomada preventiva da Warner na hora de divulgar seus futuros projetos como aconteceu num evento onde os filmes do Flash, Tropa dos Lanternas Verdes, Cyborg e dois filmes da Liga da Justiça haviam sido anunciados, e deu tudo com os burros n´água.


Ainda tem muita coisa confusa em sua cronologia cinematográfica como dois filmes do Coringa, filme de Aves de Rapina, filme da Batgirl anunciado, depois aparentemente cancelado, falha no planejamento do filme do Flash e Tropas dos Lanternas Verdes, etc.  No entanto, torço que esse recomeço seja algo muito frutífero lá na frente.

domingo, 22 de julho de 2018

James Gunn vítima de seu passado


O diretor foi demitido da função de Guardiões da Galáxia 3 por ter em seu Twitter textos que pregavam o estupro e a pedofilia. Na verdade datam de quase dez anos e isso colocou o descolado diretor na saia justa fazendo com que ele fosse demitido na sequencia pela Disney- que claro não quer nenhuma ligação com esse tipo de situação. Em declaração Gunn admitiu que foi de uma época onde ele queria ser visto e usava de qualquer artificio para chamar a atenção. Acontece que sua forma de chamar a atenção parece ter passado um pouco dos limites e isso foi “resgatado” por pessoas que o acompanham no microblog.

Infelizmente para o diretor já era. Pelo menos nos projetos da Marvel. Em seu discurso eu, particularmente, acredito em tudo que falou. Que foi de um outro tempo, que ele mudou como profissional e pessoa. Quem nunca soltou uma besteira ainda mais em rede social? Apesar de complicado, acontece. O que deve ser refletido é se a mudança de comportamento e sentimento é real. Para pessoas famosas é ainda mais complicado desfazer coisas assim. Alguns atores saíram em sua defesa, mas seus textos são muito agressivos e isso torna tudo ainda mais complicado. Claro que não dá pra compactuar com o que o diretor diz, mas acredito em sua mudança e em suas desculpas.

Agora cabe a Gunn tentar correr atrás do prejuízo, buscar novos projetos pra trabalhar e tentar acertar os ponteiros. Mas essa mancha estará com ele por muito tempo e isso com certeza irá pesar dentro de seus futuros projetos.

sábado, 21 de julho de 2018

Aquaman tem trailer grandioso

Demorou, mas saiu. O trailer do filme do Aquaman finalmente rolou na SDCC e que baita trailer. Com um visual arrebatador, cenas enormes, batalhas, produção gigantesca. Incrível como um pouco mais de "luz" faz com que os personagens DC brilhem. O longa estreia em dezembro de 2018 e mostrará a origem do personagem.

Shazam! ganha teaser divertido


Caramba! Se o filme foi metade disso ai, teremos um filme de super-heróis muito bom. A Warner/DC soltou o primeiro teaser de Shazam!, filme que adapta um "Mortal mais poderoso do mundo". Com cenas divertidas, bons efeitos e uma produção caprichada, o teaser denota muita qualidade. O filme tem data prevista para estrear em abril de 2019.


David F. Sandberg dirige e o elenco conta com Zachary Levi, Mark Strong, Asher Angel entre outros.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Homem-Formiga e a Vespa (resenha cinema)

Divertido e cumpre o que promete. Só isso já resumiria bastante do segundo filme do Homem-Formiga, que foi um dos heróis mais improváveis a ir para a telona dentro do Universo Marvel cinematográfico, isso porque o filme passou de "lenda" quando Edgar Wright ainda tentava vendar a sua ideia, a um filme de fato, mas cheio de problemas de bastidores dentro desse primeiro longa. Já esse segundo acredito que tenha se saído bem melhor, pois Payton Reed conduz sua fita sem as confusões que houve no primeiro e sendo assim o resultado final é muito mais satisfatório.


Como muito se especulava- e isso nem chega a ser um spoiler- o filme se passa durante os eventos correntes de Vingadores- Guerra Infinita, pois Scott Lang como se cogitava, estava em prisão domiciliar por boa parte dos eventos do dramático filme dos Vingadores. Aqui ele precisa manter-se longe de atividades heroicas e não pode ter contato com Hope e Hank Pym. Mas as coisas não são tão simples e a confusão vai até ele. O roteiro não tem nenhuma artimanha genial, mas funciona com boa dose de ação e humor, sem querer ser intelectual demais, apenas deixando as perguntas e respostas sempre à mão do expectador.


Mas não se deve subestimar a importância de Homem-Formiga e a Vespa, pois ele faz alguns links interessantes com o futuro filme dos Vingadores. Claro que o foco aqui não é esse, até porque isso ofuscaria o filme do personagem além de trazer spoilers involuntários a vindoura continuação de Guerra Infinita, mas está aqui sim. No mais, é um longa bem produzido e dirigido e com atuações honestas. 



NOTA: 8,0




Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp, 2018) 
Direção: Peyton Reed 
Roteiro: Chris McKenna, Erik Sommers, Paul Rudd, Andrew Barrer, Gabriel Ferrari 
Elenco: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Peña, Michelle Pfeiffer, Laurence Fishburne, Michael Douglas, Bobby Cannavale, Randall Park, entre outros 
Duração: 118 
Estúdio: Marvel

terça-feira, 17 de julho de 2018

Heavy Metal paraguaia da Mythos?

A "Heavy Metal" da Mythos

A editora Mythos vinha há alguns meses instigando os leitores a respeitos de uma tal de Heavy Metal. Logo se ligou à revista homônima americana Heavy Metal Magazine que por sua vez é uma versão da Metal Hurlant, uma revista francesa- com o aval da mesma. Acontece que a forma como o marketing da editora vinha trabalhando é como se na verdade a Heavy Metal Magazine fosse retornar mesmo ao Brasil- a revista já foi editada por aqui há mais de 20 anos. Então a editora finalmente bota os panos na mesa e revela que a sua "Heavy Metal" na verdade é uma publicação com material da 2000AD- uma "prima" inglesa da Metal Hurlant no quesito formato editorial. Os fãs que estavam aguardando o retorno da revista tiveram uma banho de água fria.


A Verdadeira Heavy Metal Magazine

Na verdade o problema é menor do que parece ou não, depende da perspectiva. A revista pode não ser uma nova versão da Heavy Metal Magazine, mas traz material de primeira. O que deixou muito leitores fulos da vida foi a forma "maquiada" em que a Mythos vendeu a ideia dando de fato a entender que se tratava da Heavy Metal original e não essa Heavy Metal "homenagem". Essa falha de marketing causou uma comoção negativa para a editora onde os fãs chamaram de "picareta" e "editora mentirosa". E a Mythos pediu por isso. Acredito que não precisa ficar vendendo esse gato por lebre para poder fazer a revista deslanchar. O material já é muito bom e a 2000AD é uma revista forte. Subestimou o leitor brasileiro. Iria vender do mesmo jeito- e acredito que mesmo assim ainda vá.


Capa da Metal Hurlant

Seja como for a publicação terá 100 páginas, formato magazine e custará R$ 25,90 em por ora cinco edições- excelente tomada editorial de dividir por temporadas. No entanto, a Mythos não se pronunciou até o presente momento dessa publicação sobre as críticas dos leitores. A editora tem fama de praticar valores elevados e sempre é alvo de críticas e de não conseguir manter uma linha em bancas por muito tempo- sempre cancelando. Apenas Tex, Zagor e Júlia deu certo até aqui. 


A revista 2000A

ATUALIZAÇÃO- A editora se pronunciou em sua rede social. Acompanhe: 

'"Na própria época da Heavy Metal americana tiveram muitos “covers” que se passavam por ela. Mas nossa intenção é na verdade deixar claro que não é um cover: é a nossa Heavy Metal, com conteúdo totalmente inovador. A inspiração pode ser a mesma, mas sua essência é totalmente distinta. 

Não havia possibilidades da adoção de um titulo específico para a 2000AD, porque embora esta primeira temporada contenha histórias da 2000AD, não se restringirá a ela :D Por isso, aguardem! Vem muuuita coisa boa por ai! 

 O logo foi mudado justamente para que as pessoas NÃO confundissem com a americana. A patente registrada não é sobre o nome, mas sobre o logotipo. Por isso fizemos questão de mudar, porque não queremos que entendam que é a mesma coisa ou outra 'versão'". 

 FIM DA ATUALIZAÇÃO.

sábado, 14 de julho de 2018

Grandes Artistas: Steve Ditko


Um dos personagens mas famosos dos quadrinhos é o Homem-Aranha. Foi criado em 1962 por um dos nomes mais fortes da época: Stan Lee. Mas sozinho sem um artista que desse o formato do herói mais querido da vizinhança talvez o Aranha tivesse ficado só na cabeça do roteirista. Jack Kirby, colaborador frequente de Lee, até fez um primeiro esboço do personagem, mas ficou muito "troncudo". Então Steve Ditko aceitou refazer o visual e nasceu o herói que você conhece até hoje e com pouquíssimas mudanças de lá para cá. Com um traço mais simples e dotado de uma técnica limpa e sóbria, Ditko deu ao personagem o visual que todos os jovens se identificariam dali por diante. Ele também é o co-criador do Dr. Estranho ao lado de Lee.


Mas Ditko não era apenas um artista, ele também era roteirista e colaborava com HQs de ficção científica em editora menores. De acordo com colegas, era extramente bem aplicado e apesar de não gostar de holofotes, foi um artista muito disputado na época. Chegou a passar pela DC e co-criou personagens como Rapina e Columba, trabalhou também no Questão e Besouro Azul quando ainda eram da  Charlton Comics. Um artista completo, com uma arte limpa e catedrática. Um dos melhores de sua geração e dono de um legado estupendo.

Anuncios Panini Comics


A editora Panini Comics anunciou algumas novidades durante o evento Anime Friends. Algumas poucas surpresas, alguns pedidos e algumas polêmicas. O que mais me espanta que em geral a editora sempre faz um geralzão nos primeiros meses do ano sobre o que esperar durante toda a vigência e até vinha esboçando isso em algumas respostas sobre o que viria de novidade em sua página no Facebook, mas nunca aconteceu. O que tem sido feito é divulgar alguns materiais de tempos em tempos, como se os planejamentos estivessem sem rumo certo. O que pra mim coloca a Mythos, que é o estúdio que cuida da parte editorial da Panini Itália aqui no Brasil em xeque. A falta de comunicação também tem deixado os fãs fulos da vida. O seu maior canal para esse contato, que sãos duas páginas na rede social também tem hiatos bizarros. Recentemente ficou-se sabendo que outro estúdio irá tomar de contar da parte editorial de alguns mangás, mas não foi dito qual. E com certeza onde tem fumaça tem fogo. Seria esse o começo do desligamento da Mythos com a Panini Itália? São apenas achismos. Por ora a Mythos ainda é o estúdio por trás das principais atividades da editora europeia no Brasil. Sem mais delongas, segue aí algumas coisas que vêm por aí nos próximos meses.


Pelo selo Vertigo vem aí Escalpo vol. 3 de Jason Aaron e R. M. Guéra a continuação em capa dura (até que isso tá sendo rápido- em pouco tempo a editora já trouxe praticamente tudo que será editado já que serão quatro volumes), Frostbite – Morte Gélida em capa cartão por Joshua Williamson e Jason Alexander e The Names por Peter Milligan e Leandro Fernandez também em capa cartão. Vale lembrar que outros títulos já lançados devem ganhar continuação. O selo Vertigo na Panini aos poucos vem ganhando uma série bem diversificado de títulos e muitos deles, verdade seja dita, está indo direto para as bancas em capa cartão. O que é muito bom para um selo adulto e assim alcançar um maior número de fãs que estavam meio que carentes dessa formato e desse selo de uma forma mais acessível. Esse sim foi uma decisão editoral muito acertada!




Na DC uma boa surpresa é Grandes encontros DC Comics/ Dark Horse Comics – Batman vs Predador com encontros entre as duas editoras. Nesse primeiro volume em capa dura teremos- como o título já enuncia- Batman vs o Predador por Dave Gibbons com artes de Andy e Adam Kubert.  Espero que outros encontros entre os dois universos esteja nos planos, mas sem esse negócio de capa dura. Já Batman- O Cavaleiro Branco de Sean Murphy será editado em oito partes com capa cartão e papel LWC ali no mesmo formato de Renascimento All-Star Batman. Imagina o precinho disso! Lendas do Universo DC – Jovens Titãs era um pedido antigo e agora vai. A fase de Marv Wolfman e George Perez sairá nesse formato em off-set. Até agora alinhado para quatro volumes, mas essa fase é enorme e não caberia apenas em quatro volumes. Nãos se sabe exatamente como será feito esse lançamento- valendo lembrar que a Panini já havia lançado uma parte desse material em capa dura na Biblioteca Histórica. E tome mais Lendas do Universo DC com Etrigan de Jack Kirby em dois volumes também tá agendado. Quer mais? Sim, Panini dá continuidade a Lendas do Cavaleiro das Trevas por Jim Aparo em mais três volumes- e nada de Norm Breyfogle como anunciaram em CCXP. Aliás, Esquadrão Suicida de John Ostrander também havia sido planejado, mas ficou no limbo.




Agora do lado da Marvel teremos Pecado Original de Jason Aaron e Mike Deodato, Vingadores vs X-Men de Jason Aaron, Brian Michael Bendis, Mike Deodato, Olivier Coipel e uma galera aí e tudo isso em capa dura em seu formato Deluxe. Já em capa cartão teremos Venom de Mike CostaBen Reilly: O Aranha Escarlate de Peter David e Mark Bagley, mais Coleção Histórica Marvel – Hulk, Arma X de Greg Pak e Greg Land (!), Doutor Estranho – Império Secreto de Dennis HopelessThor – Legado de Jason Aaron Capitão América – Legado de Mark WaidChris Samnee- esse último bem aguardado.

Ainda terá mais um volume de Valente de Vitor CafaggiRick e Morty de Zac Gorman e CJ Cannon numa versão sem necessidade em capa dura. Ai, ai!


quinta-feira, 12 de julho de 2018

Filmes do Coringa? DC e seu (Des)planejamento

A Warner e a DC vem amargando críticas muito negativas em se tratando de seu confuso Universo cinematográfico. Com decisões questionáveis sobre o tom de seus filmes, a "bagunça" parece ter mais um episódio com dois filmes do Coringa. O longa estrelado por Joaquin Phoenix foi oficializado e irá começar suas filmagens em setembro próximo (a partir da data dessa publicação) e tem deixado os fãs confusos, pois o filme do Coringa com Jared Leto também está de pé. Pelo menos até agora a DC ainda disse nada ao contrário.

O que preocupa os fãs da DC é o descompasso em que as coisas estão. Dois filmes do Coringa e onde os dois estarão dentro dos filmes cronológicos? Pra piorar a situação o longa The Batman tá todo embolado com ora Ben Affleck no papel, ora não. Ora é um filme do tipo origem, ora é um filme fora da cronologia DC nos cinemas, ora ninguém sabe realmente em que pé está.Todas as confusões têm frustrado aqueles que amam a DC e querem ver seus personagens dando certo nos cinemas.

O que estar por vir como Aquaman, Shazam! e Mulher-Maravilha é o que ainda dá uma animada nas pessoas que prezam por um filme da DC que decente. Até aqui apenas Mulher-Maravilha foi um sucesso quase que unanime. As questões agora ficam para Shazam! e Aquaman se vão realmente funcionar. A expectativa é que The Flash, Homem de Aço 2 e Lanternas Verdes ganhem algum sinal positivo e com times criativos de ponta. O futuro da DC nos cinemas é sempre uma incógnita, mas a Warner já percebeu que precisa melhorar muito e está apostando em Aquaman, Shazam! e Mulher- Maravilha 1984. Vamos ver se surte efeito.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

"Quadrinhos agora só na Promoção".

Quadrinho para TODOS!


Testemunhei uma cena hoje numa loja especializada em quadrinhos que só me fez ter certeza do rumo completamente errado em que o Brasil está tomando em relação a quadrinhos. Vamos lá...

Frequentando uma das lojas especializadas em quadrinhos aqui da minha cidade eu testemunhei uma cena que me deixou de certa forma triste. Entrou um garoto na loja que deveria ter uns 11 anos de idade e ele foi direto pedir Guerra Infinita. Eu não sei se ele sabia que antes tinha Desafio Infinito, mas acho que ele não tinha esse conhecimento. Ele entrou com o pai e foi direto ao balcão e pediu logo o que ele queria. A pessoa que o atendeu botou o encadernado em cima do balcão e o pai do menino foi puxando a carteira, elogiando o formato bonito e chutou brincando se custava uns R$ 40,00- acredito eu que ele achou que fosse menos pelo tom em brincadeira. Quando a pessoa disse que custava R$ 113,00 o cara deu uma risadinha, fez uma piadinha como “Tô nem vendendo drogas pra gastar tudo isso” e depois perguntou novamente quanto custava. Ele não acreditou que custasse realmente aquele preço e a pessoa que o atendeu meio sem graça reforçou que custava R$ 113,00.



Formatos Variados.

Pronto. O cara olhou pra pessoa e depois olhou pro garoto que me pareceu meio envergonhado. O cara fechou a carteira, empurrou o encadernado de volta, sussurrou alguma coisa em tom de desaprovação pro menino, agradeceu a pessoa que o atendeu e foi embora dizendo que estava ficando velho e não doido pra comprar uma “revistinha” naquele preço (claro que sei que era um formato “de luxo”, mas o cidadão não precisava aceitar aquilo). E detalhe: o cara tinha grana, pois entrou num Corolla preto bonitão estacionado em frente da loja. O que o cara não tinha era falta de bom senso ao se negar em comprar aquele quadrinho.

"


"Esse aqui custa sua alma, garoto". Um dia vai ser assim.

O ponto é que quadrinho está deixando de ser algo para novos leitores. Está deixando de ser um produto fácil pra se tornar um entretenimento caro, quase de ostentação mesmo. Essa veia na verdade já está se formando há alguns anos, mas de uns tempos para cá tem ficado mais nervoso. Que mercado está se formando para o futuro? Hoje encadernados que custavam na base de R$ 35,90 estão pra lá de R$ 50,00 em um ajuste que foi realizado em pouco mais de seis meses até a data dessa postagem. O futuro do quadrinho para fãs no Brasil está caminhando para um rumo negativo. Chegará um momento que os valores serão imorais demais para qualquer amante da Nona Arte, mesmo aquele que diz que “Vou esperar aquela promoção marota do Amazon”.


Quanto mais simples + mais barato = a mais gibis em casa.

O quadrinho pra mim teria que ser de fácil acesso. Teria que ter mais opções para os leitores. Há material que já chega diretamente em capa dura a valores absurdos. As editoras como Panini, Mythos, Devir, que são as mais antigas, estão praticando números assustadores para o mercado e pior: sem perspectiva de dar um alivio para os fãs. A qualidade às vezes é questionada em detrimento do custo/beneficio. Não consigo entender porque alguns produtos que poderiam sair em formatos mais econômicos acabam em acabamentos de luxo com extras questionáveis, vide aí Punk Jesus Rock da Panini Comics. Um quadrinho fino que praticamente duplicou de páginas com extras desnecessários e um formato maior que não influencia em nada. E pra piorar, o quadrinho ainda é em preto e branco! Sem falar os mangás que agora estão no valor base por R$ 21,90 numa tomada editorial duvidosa pela Panini. E ainda tem essas coleções como os da Salvat e Eaglemoss que aumentam de preço de tempos em tempos. Sabemos que as coisas aumentam de preço mesmo, que existem a variação do dólar, de encargos operacionais diversos, etc, mas é aí que deve existe uma estratégia de custo em que a empresa venda seu produto ao mesmo tempo que fideliza seu cliente com preços mais amenos. A coisa não tá preta só pras editoras não. Tá preta pra todo mundo.



Imagem retirado do HQZasso de um encalhe monstro sendo vendido com quase 50% de desconto.

Fico triste não só por esses aumentos bizarros, por essas tomadas editoriais canibais, mas por saber que em alguns poucos anos o quadrinho deixará de ser um produto de entretimento de massa no Brasil para ser um produto genuinamente elitizado. Uma diversão tão simples sendo vendida a preço de ouro e privando muita gente de ter sua diversão. Não será mais “comprar quem quer”. Será literalmente “comprar quem pode”! Depois as editoras reclamam de “scans”. Daqui alguns anos esse será o caminho mais viável para os leitores de quadrinhos no Brasil. Falo do Brasil em especifico, pois a Panini, por exemplo, diz que está seguindo as "tendências mundiais", mas não dá pra comparar mercados como o da América, Japão ou Europa com a nossa que é completamente caótica.


Samantha! 1º Temporada (resenha seriados)



Que golaço! A Netflix acerta em cheio com a série de comédia que mantém um leve tom dramático. Na trama Samantha (Emanuela Araújo- espetacular) é uma ex-celebridade mirim que tenta se segurar na aba de seu sucesso quando criança, mas a vida é dura para a hoje mulher e mãe de dois filhos- com o marido ex-jogador (Douglas Silva) de futebol preso. O sucesso ficou para trás e seu nome é associado apenas à nostalgia e “bons tempos”. Ainda assim, Samantha agarra o que pode pela frente em nome do sucesso, seja ele como for, o que a coloca em situações complicadas. A força do humor ganha contornos caricatos, mas providenciais ao que o programa almeja entregar: uma ligação com o passado quase real de celebridades infantis que se perderam com o tempo e hoje não passa de sombras de seu passado. E isso é uma realidade não apenas no Brasil, mas em várias partes do mundo.


Com muita qualidade técnica e uma equipe muito boa, a nova série original Netflix foi uma baita surpresa! Na verdade os trailers já indicavam isso, afinal, voltar ao passado está em moda hoje em dia. E Samantha resgata um que foi muito forte no Brasil nos anos de 1980. O programa de palco infantil foi uma tendência muito circular e fazia muito sucesso entre as crianças e de quebra deixava os pais tranquilos, pois eram bem infantis mesmo. O legal do programa é o resgate de muitos elementos usados na época que hoje provavelmente seriam questionáveis- poxa, tem um personagem de palco que se chama “Cigarrinho” e a indumentária é um maço de cigarros! O mais divertido é ver que tudo aquilo que hoje virou “lenda urbana” sobre esse tipo de programa é usando de forma a acrescentar essa mística.


E pra entornar ainda mais esse caldo, Samantha é casada com um ex-jogador de futebol que ficou preso por anos. Na vida real existe um caso semelhante dentro da história dos programas infantis no Brasil. Com um roteiro inteligente, ágil e com uma temporada certeira de sete episódios- talvez se fosse mais teriam que enrolar- Samantha já nasceu estrela. O bom desse programa é que ele não soa “emulado para ser divertido”. Explicando: hoje, principalmente em filmes de comédia nacional, as piadinhas feitas estragam muito e são estrategicamente montadas para fazer aquele gracejo maroto com o que estiver em voga no momento, o que a meu ver, é um erro grotesco. Seja como for, Samantha não sofre dessa praga e o humor é fluido dentro da paródia que apresenta e ao mesmo tempo é honesto em sua originalidade.



NOTA: 9,0

Samantha! (Idem, 2018)
Criação: Felipe Braga
Direção: Luis Pinheiro e Julia Jordão
Roteiro: Roberto Vitorino, Patricia Corso, Rafael Lessa, Filipe Valerim
Elenco: Emanuelle Araújo, Douglas Silva, Sabrina Nonata, Cauã Gonçalves
Episódios: 07
Emissora: Netflix
Produção: Los Bragas


domingo, 8 de julho de 2018

Resenhas de Quadrinhos: Batman/Flash- O Bóton, Renascimento Flash Vol. 4, Injustiça Vol. 6 e Os Novos 52- Aquaman vol. 3.

Fazer aqui uma resenha mista pra passar logo o bastão. Ainda que “atrasado”, aí vai as resenhas do evento que levará a maxissérie Relógio do Juízo Final, um pouco de Flash de Renascimento, Aquaman de Os Novos 52 e Injustiça.

Renascimento- Batman/Flash • O Bóton por Joshua Williamson e Tom King com artes de Jason Fabok e Howard Porter.

De cara: não vale R$ 39,90 da capa dura. Não sei nem se vale R$ 17,90 da capa cartonada. É uma HQ com o pé no acelerador, mas com o freio de mão puxado. Começa bem, no entanto, não aproveita a oportunidade de criar mais e ao mesmo tempo que dá um passo pra frente, dá dois pra trás. Claro que não há grandes respostas aqui, isso eu já sabia, então não espere algo assim. Aqui é só um “esquenta” muito bem vendido pela editora.

A trama bota o Batman e o Flash investigando O Bóton que aparece misteriosamente em DC Comics Renascimento e para tanto os dois heróis seguem pistas além da realidade cronológica vigente e dão de cara com resquícios da DC tradicional e outras realidades mais recentes, mas não se aprofunda muito. Watchmen é uma obra fechada e sua fissura nesse novo momento deve ser feito com cautela. No entanto, o que se sabe sobre esse encontro até aqui é que está sendo bem elogiado em partes. O Bóton foi só um prelúdio simples para a colisão entre os universos que se dará em dezembro com a maxisserie O Relógio do Juízo Final. Ponto positivo mesmo para Jason Fabok que evoluiu muito. Já Howard Porter faz um bom trabalho.

 NOTA: 7,5


Novos 52 • Aquaman vol. 3- A Morte de um Rei por Geoff Johns e Paul Pelletier.

Como essa fase é boa! Isso é a prova de que não existe personagem ruim, apenas escritores medíocres. Nas mãos de Geoff Johns o Aquaman ganhou um ar de grandeza, com HQs excelentes e bem escritas. Aqui Arthur Curry precisa lidar com uma poderosa força antiga que trouxe consigo muitas questões complicadas para o rei de Atlântida. A trama gira para muitos lados e coloca o Aquaman em perigos diversos. 

E apesar de não ser muito fã de Paul Pelletier, o cara fez um grande trabalho aqui. Admito que tinha desistido no volume dois quando vi que não teríamos Ivan Reis na sequencia. Mas ainda bem que voltei atrás e peguei o terceiro volume- que de certa forma é o quarto. A trama antes desse arco foi editado em Liga da Justiça vol. 2 de Os Novos 52 com O Trono de Atlântida, que foi um crossover entre o Aquaman e a Liga.

NOTA: 8,5


Renascimento • Flash vol. 4 de Joshua Williamson e artes de Carmine Di Giandomenico, Howard Porter, Paul Pelletier, Ryan Sook, Pop Mhan e Neil Googe.

Essa edição me surpreendeu. Flash eu já tinha "dropado", mas acabei voltando para essa quarta edição devido às boas críticas dos colegas por aqui. E não me arrependi! O melhor volume disparado do Flash- mas se levarmos em conta os volumes medianos anteriores, poderia não ser um feito tão grande assim. No entanto, independente das outras edições, esse volume por si só se sobressai. 

A trama bota o Flash Reverso fazendo aquilo que sabe fazer melhor contra o Flash: acabar com sua vida. Com reviravoltas e revelações, Joshua Williamson consegue elevar bastante o nível de roteiro- ainda que continue com umas tomada bregas em algumas passagens. Bom volume com artes variadas que funcionam de uma forma geral.

NOTA: 8,0


Injustiça • Deuses Entre Nós vol. 6 de Brian Bruccellato e Ray Fawkes com artes de Bruno Redondo, Mike S. Miller, Sergio Davila, Xermanico e Juan Albarram. 

Finalmente uma edição inédita pra mim e um volume muito movimentado onde Supermar e sua equipe, assim como Batman e seu pessoal, precisam lidar com uma ameaça mística enorme que pode obliterar o espaço/tempo. Dentro desse contexto há perdas dos dois lados, decisões complicadas e um desfecho sem vencedores. 

Apesar de ter achado a inclusão de Constantine muito fora dos eixos, aqui ele aparece menos afetado e encerra aparentemente sua participação. Há também uma pequena HQ mostrando como Ravena foi parar refém de Constantine e a resposta de como a Mulher-Maravilha ficou em "coma místico". Também a resposta para o paradeiro dos Titãs. Edição boa se falarmos de ação. Dessa vez Mike Miller se destaca na arte. 

NOTA: 7,5

SERVIÇO:

Batman/Flash- Edição Especial
Roteiro: Joshua Williamson e Tom King
Arte: J
ason Fabok e Howard Porter
Páginas: 108
Acabamento: Lombada em versão capa dura e capa cartonada
Preço: R$ 17,90 (capa cartão) e R$ 39,90 (capa dura)
Publicação: Março de 2018
Editora: DC Comics/Panini Comics

Os Novos 52- Aquama vol. 3
Roteiro: Geoff Johns
Arte: 
Paul Pelletier
Páginas: 200
Acabamento: Lombada em capa dura
Preço: R$ 35,90
Publicação: Abril de 2017
Editora: DC Comics/Panini Comics

Renascimento- Flash vol. 4
Roteiro: Joshua Williamson
Arte: 
Carmine Di Giandomenico, Howard Porter, Paul Pelletier, Ryan Sook, Pop Mhan e Neil Googe
Páginas: 132 
Acabamento: Lombada quadrada, capa cartão
Preço: R$ 20,90
Publicação: Junho de 2018
Editora: DC Comics/Panini Comics

Injustiça • Deuses Entre Nós vol. 6
Roteiro: Brian Bruccellato e Ray Fawkes 
Arte: 
Bruno Redondo, Mike S. Miller, Sergio Davila, Xermanico e Juan Albarram. 
Páginas: 164
Acabamento: Lombada quadrada, capa cartão
Preço: R$ 22,90
Publicação: Outubro de 2016
Editora: DC Comics/Panini Comics
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