quinta-feira, 8 de junho de 2017

Moonlight: Sob a Luz do Luar, Lion - Uma Jornada Para Casa e O Jogo da Imitação (Resenha Filmes)

 Moonlight: Sob a Luz do Luar, foi o grande vencedor do Oscar 2017 e não por acaso: é um filme forte, com um tema em voga, mas que não o usa como muleta para se sustentar. Seria muito fácil (e cômodo) para um "crítico" relatar que o filme se sustenta numa realidade tão atual para ser um filme de destaque, mas na verdade  Moonlight: Sob a Luz do Luar sai desse pragmatismo para ser um projeto real. Na trama um jovem negro acaba sendo "apadrinhado" por um traficante local (Mahershala Ali) depois de ser perseguido por um bando de garotos. O filme pula para uma etapa em que Pequeno (Alex R. Hibbert) era apenas uma criança perseguido por valentões para Chiron ( Ashton Sanders) que por fim sabe de sua condição sexual e finaliza com Black (Trevante Rhodes), onde o agora traficante de renome assume a marca de seu antigo tutor. Essa metamorfoses são etapas bem desenvolvidas e atraentes para os personagens e a estória em si. O diretor Barry Jenkins constrói uma narrativa singular, com uma base simples, mas forte. De uma visão mais míope poderia ser um filme sem graça, quase apego nenhum, mas a ótica em cima de Chiron (Pequeno quando criança e Black quando adulto) vai além do esteriótipo ou raça ou denominação sexual. É sobre uma pessoa que enxerga a realidade a sua volta e se molda em torno dela. E isso é a realidade em que vivemos. As escolhas e a atmosfera que nos cerca influenciam nos passo futuros e nas escolhas que podemos ter- e suas consequências. Para Chiron um amor de infância ou a perca do amigo, ou o exemplo do tutor fizeram a diferencia. O longa ganhou o Oscar de melhor filme.

NOTA: 8,0

Lion- Uma Jornada Para Casa poderia ser um filme de reencontro como muito e muitos outros. Até poderia, se não fosse tão emocionalmente bem contada. Índia, 1986... Saroo de cinco anos e o irmão Guddu saem para tentar arrumar emprego para ajudar em casa, mas Saroo muito novo acaba dormindo na estação de trem e ao acordar não encontra o irmão e sai em busca do mesmo, mas acaba dormindo num vagão de trem e com isso ganha uma viagem solitária por toda a Índia. Assim, Saroo acaba em outro local, muito distante onde o dialeto é bengali e como ele fala apenas hindi, fica em uma situação complicada, passando fome, perdido e sem saber como se comunicar. A história real do jovem indiano tem desdobramentos espetaculares, mas de muita angustia. Fazia tempo que eu não assistia um filme tão emocionante, tão forte e com uma carga emocional pesada. A jornada de Saroo ao ser adotado por um casal de australianos e seu retorno a sua vila natal emociona. Toda sua provação de fome e solidão, passando por desventuras que poderiam ter colocado esse pequeno garoto em panos diferentes, abre uma discussão sobre crianças perdidas, de rua e/ou que vivem em situação de miséria. É uma pauta política que, apesar de ser adotada no filme de forma introspectiva, salta a mente no momento que você entende o descaso do governo com essa situação, num país onde estatisticamente falando mais de 80 mil crianças somem por ano na Índia. Um filme forte, bem contado e emocionante. Ótimo trabalho do diretor Garth Davis e belas interpretações de Dev Patel e o ator mirim Sunny Pawar. Concorreu a seis Oscar, mas não levou nenhum injustamente.

NOTA: 9,0

O Jogo da Imitação é um filme daqueles te prende pela inteligencia e pelas ótimas interpretações. O filme conta a história de Alan Turing, que é considerado o pai da computação. Turing foi contratado pelo governo britânico junto a outros cientistas para decodificar uma máquina alemã intitulada Enigma e que dava aos nazistas poder estratégico ao usarem códigos indecifráveis para a época. Com isso Turing criou uma máquina que "traduzia" a criptografia nazista e antecipava os ataques importantes. O filme tem momentos de baixa estima e superação, de forma bem previsível, até, mas contada de forma singular. As indecisões e o gênio de Turing são elevados a um status de problemático, até ser reencontrado no memento de superação no clímax do filme. Apesar de alguns personagens até caricatos, O Jogo da Imitação é um filme de espionagem bem conduzido e funciona muito bem como relato da vida mais secreta de Turing. Apesar da previsibilidade do longa, ele é bem condizido pelo sueco Morten Tyldum com uma câmera firme e uma fotografia bem executada. Ganhado dor Oscar de melhor roteiro adaptado.


NOTA: 8,0

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